Na engrenagem de tantas e todas as frustrações guardadas enfim, tatuo e auto-retrato, permeio não definir no ato o que não tem nome e se esconde em mim.
Há um confronto entre os que ousam ter compaixão em ser vítima e monstro, quanto mais descubro a luz também à sombra me destronco.
Desistência efêmera por raiva contida na intensidade de uma alma adoecida, descontada as vezes em gole, as vezes em arte, as vezes em vida.
Fascínio na desgraça que liga o sublime olhar dos que amam beleza e carnificina.
Interior rasgado em tiras, insolente ânsia dos que tem que se engolir triturados dia após dia, buscando salvação ao regurgitar suas iras!
quarta-feira, 15 de abril de 2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Cabelo verde-fogo
Se tenho um ofício que nada me acrescenta
Nada me tira e nada me traz
É porque esculpindo-me o grande e duvidoso criador
De esmero mau gosto me quis folclore
Sou Curupira e ando pra trás.
Nada me tira e nada me traz
É porque esculpindo-me o grande e duvidoso criador
De esmero mau gosto me quis folclore
Sou Curupira e ando pra trás.
Empurrando despercebido e sozinho o caminho dos que andam
em florestas de fumaça verde fugaz
Sigo no meu inverso lambendo pólen maduros da falta que a falta faz.
Sigo no meu inverso lambendo pólen maduros da falta que a falta faz.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Mensagem subliminar
Ana acorda!
Uma figura desfocada que passou no meu portão durante o
sono de um sonho quer afrontar o meu sistema, me implanta pensamentos desnecessários
e com seus traços me envenena.
A figura era cega, deforme, mutável, com feições tão conhecidas que me põem em decadente reflexão irremediável. Já não me inquieta a vida? Será que ao menos não posso dormir o sono dos justos sem sustos?
Eu persegui a figura do portão durante o sonho, foi o
sonho da minha juventude. O que eu consegui?
Caleidoscópio de emoções e metamorfoses.
Fugindo e sempre em movimento, de várias formas a mesma
coisa repetidas vezes, há falta de argumentos que possam explicar o quanto é
desesperador conhecer e não ver, ver e não saber, querer e não ter.
Ao dormir se ama,
ao acordar se odeia, ao viver se mata.
A morte do amor me
deixou um legado de dúvidas, fez um quebra cabeça da minha carne retalhada com
as tragédias do meu mundo, e este está espalhado em inúmeras dimensões, eu não
posso montar.
Posso como desculpa projetar minhas frustrações na figura,
já que ela não é nada além de uma insignificante deformidade espectral invasora
de sonhos. Que vague com sua cegueira no seu caminho roubado da minha mente,
que vá para o inferno e nunca saia!
Se tenho necessidade de corpos e palavras em forma de
catarse, é para cegar minhas atitudes no plano das ações, para que eu possa
alegar que sou eu a minha própria criatura, é inadmissível que ela ainda seja
reflexo de outras pessoas. Te asseguro que não é.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Bloody Mary
Abra
os olhos! Ana, você está atrasada, corre!
Moro
em um enorme prédio de paredes cinza, na esquina, no centro da cidade obscura,
como um cenário de Apocalipse zumbi, de vivos. Desço e esbarro em sombras, em
gente que já foi pintada com cor-de-alma.
Chego à repartição municipal, seu piso de granito batido está alagado, aqui entram os que buscam solução no seio da máquina de criação de problemas.
Estou
preparada e muito confiante para isso, e para tudo.
Uma
moça que não posso definir suas características embaça meus olhos com sua
postura ereta e séria, já podemos começar.
“Quais
são suas habilidades? Vocês foram indicadas com ótimas referências.”
Não me sinto lisonjeada, nada relacionado com repartições, prédios de esquina no centro e boas indicações me soam lisonjeiro.
Abro
minha boca para repetir roboticamente as coisas importantes que sei, como quem
foi enxertada com aço e agora é peça de engrenagem que será acoplada a sua nave
mãe. Essa sou eu sendo responsável no seu mundo.
Seja normal e pareça preocupada com dinheiro.
Sinto aquele gosto, o de sempre que eu adoro. Não posso mais falar, estou muito ocupada bebendo e afogando no meu próprio sangue, que bem ali na frente de todo esse indevido contexto, jorra da minha boca em torrentes. Isso me excita de tal forma, que desejo beber o sangue do mundo inteiro e depois vomita-lo de volta para adubar a terra, e ver se assim nasce uma planta que lembre que possuímos órgãos frágeis, que mostre que todos nós somos humanos.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Hannibal
De todas as
causas e efeitos, o que me coloca em risco são os olhos que eu nunca comi,
e por falta de uma indecente sabedoria, inventei uma tabela de dilemas que
decifram olhos que nunca vi.
Olhos
castanhos que eram mel e depois verdes, chegaram ao tom de olhos cor de ana se
perde, com pintas em órbitas arrebatadas de uma galáxia profunda e vazia.
Os olhos
marrons-claro-rasos adjetivam não só as cores. Raso e vazio.
Sou esfinge devoradora
de olhos, satisfeita em comê-los cozidos e bem fechados para que eu não veja o degrade
de mentiras rebuscadas em suas cores.
Os olhos mentem em suas cores, e não só de cores vivem e mentem os olhos, (em todos) o meu reflexo eu vi em uma terra de olho por olho, devora-me ou te devoro, que eu já não enxergo mais.
Os olhos mentem em suas cores, e não só de cores vivem e mentem os olhos, (em todos) o meu reflexo eu vi em uma terra de olho por olho, devora-me ou te devoro, que eu já não enxergo mais.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Rapper de mentira
Ouço palavras, mas só entendo insultos
Defendem só os seus mundos, não
buscam o saber oculto
Se tem galera eu curto, se passa a
bola eu juro
De coração taciturno, se cai
quebrado eu junto
E quem vê já repara, na mina que
fala, e toma breja igual cara, até
rebola com as trava
Se sua coragem ameaça, cê tem que
ficar em casa, lavando louça na pia enquanto afoga suas magoas.
É que eu não vim agradar, pra quem
não quer escutar liga tv no jantar na sua sala de estar que vira super star em
dar uma sorte pra azar, a boca vai excretar sem a cabeça pensar.
Por isso eu vou te zoar até a raiva espumar
E o galo cantar, e a cabeça inchar
Até te abalar e o falo fraquejar
Vou anaconda dançar, minha arte é
debochar.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Retalho sólido de cinza líquida.
2007, não aperte assim meu peito, é capaz que se rompa o
pericárdio e não me resta, além de fisiológica, nenhuma outra proteção. Não
desmembre átrios e ventrículos em mínimas linhas imaginárias de retalhos com
seu bisturi de precisão cirúrgica que opera sem anestesia palavras de sentido
figurado e sentimentos de dor real por mil e um dias e noites, de centenas e
dezenas de milhares de vezes.
Aquele que se propôs a reconstruí-lo não era médico, e não
entendia de construção, nem biológica e nem civil, não sentia, mas de forma
instintiva e animalesca juntaram-se os corpos, e nem Frankenstein sonharia em
tão pouco tempo ser tão remendado quanto eu. E do remando ao fogo sem
explicação, me incendiara de todas as formas boas e ruins, até ser cinza o
mundo, minha cor preferida e o meu coração.
Aquele que remediou, eu o chamei de água e deixou-se
entre nós um fluir límpido daquilo que sacia e abranda mas
sempre procura por outras correntezas, e procurou.
Sete anos depois meu coração jamais voltará a ser carne e
bombeador de sangue, este é condenado a ser um órgão místico e metamórfico que
morre todos os dias por toda a eternidade que lhe é concebida, mas ninguém o vê
de perto, ninguém faz ideia do que as ações e reações externas causaram dentro
de mim.
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