quinta-feira, 17 de julho de 2014

Lobolambe

Numa floresta tomada de um extremo verde escuro onde a umidade afoga os pulmões em água, o desconforto e o espírito sinistro do lugar devem ser ignorados, para que se agucem audição e olfato.
Rosnados perturbadores perdidos em eco. O lobo negro corre sem direção, corre tentando escapar de seu habitat de tormentos, sua consciência desconhece sentimentos humanos e a fuga também é a procura de sua única satisfação.
Não há uma matilha, e sua companhia é o som de sua respiração fria, após um longo tempo, que não se pode ser medido de maneira habitual, cronológica ou precisa, o lobo negro com sua  pupila em risco horizontal, segue o forte brilho através das arvores em borrão mas o que lhe indica tal caminho com tanta certeza é o cheiro da presa mais fácil de ser abatida, a mole e fraca carne humana.
O lobo corre de volta a sua floresta, ela pertence a ele e ele a ela após sua refeição sagrada, com o focinho brilhante em vermelho de sangue ainda não coagulado, suas unhas e dentes penduram carne desfiada ainda quente, a língua saboreia sal água e ferrugem, o instinto da morte é o sentido de sua existência selvagem e animal, o êxtase de sua força e poder é ver a vida sucumbir olhando para ela no fundo dos olhos.
É a noite do lobo dilacerador de almas.
O amanhecer desperta uma garota nua com o sol ferindo seus olhos negros, ela está coberta de sangue que não é seu, com carne desfiada entre os dentes, seu coração explodindo em vida após uma noite sem os sonhos e lembranças que costumam atormentar suas brandas noites sem luar.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sonho de uma noite de verão




E o orkut acabou, e eu não realizei um sonho...
Como toda garota eu sonhava com um príncipe encantado, junto com a idade do sonho de um príncipe encantado, veio uma chuva digital de mudanças comunicativas. O orkut era meu cenário de contos de fadas moderno.
 Eu sonhava que meu príncipe encantando não viria num cavalo branco, e sim seria aquele que me mandaria um testimonial com o trecho “Bem sei da sua dificuldade na terra, farei o possível pra morar contigo na pedra” da música Ana e o Mar.
Ele me mandaria um testimonial com esse trecho sem que eu falasse nada de minhas preferências, e eu saberia que aquele era meu príncipe, o amor da minha vida, com química de alma, e sincronicidade de pensamento, apareceria um arco íris de coração enorme em volta da tela do Pc, e ai então, ele seria digno de morar comigo na minha pedra do meio do mar que é melhor que qualquer castelo.
É uma coisa fofa, boba e bonita que eu lembro, acho que esse foi o último fôlego da inocência de princesa em mim, e quando tive a notícia do orkut, me veia a tona essa lembrança.
Infelizmente acabou o orkut, não gosto mais dessa música,  não acredito mais em contos de fada, beijei alguns sapos, nunca conheci príncipes, só um tal de rei do camarote.
Mas ainda acredito na minha pedra no meio do mar, e talvez um dia retire o que eu disse...sobre a música.


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Os vampiros que se mordam

Não tenho silicone, odeio pentear o cabelo e não quero um Iphone. Pessoal me acha esquisita “essa menina onde vai deita e dorme”, descabelada, largada e desapegada da filosofia você é o que consome.
Tem gente que se chateia, tenta me impor auto estima, jura que eu sou assim porque me acho feia, e quem disse? Quando eu quero também subo no salto, passo 212 e faço canalhice.
Não sou escrava de nada, 
incomodado que se mude, então vira a cara se não quiser me ver no Vila Conte de cara lavada, valores trocados é a característica dos jovens adultos da minha geração alienada, então faz um favor e não derruba minha cerveja que é sagrada.
Confesso que exagero, tem coisa que até eu acho um absurdo fatal, mas meu subconsciente me sabota e não é proposital que eu chego de havaianas e viro piada local.
Mas tudo bem pra mim, gosto bem assim, e quem me ama acostuma e vê que não é bem assim, simplesmente tem coisa que não é pra mim.
No sexto pecado capital, acho que nunca vou ser considerada dentro de um padrão normal nessa cidade onde a maioria quer ser o que não é e igual, passo minha vez pra quem sabe lidar com isso de forma natural.
Vaidade ta na moda, é cult, é chic, é style, é foda! E humildade? So last season ninguém usa desde o ultimo verão junto com a verdade.



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Minha vida é toda errada

Ninguém me avisou, e agora eu sou torta.
Vagante ser, sem ancoragem na razão.
Repito os mesmos erros, dos mesmos jeitos, entorno os mesmos corpos,  e beijo os mesmo copos.

Tão condenada quanto ao mito de Sísifo, a empurrar uma pedra até o topo de uma montanha só para ver a mesma pedra rolar para baixo eternamente.
Pedra maçante de obrigações e expectativas, esmagando meu destino com  o peso do idealizado.
 Longa trilha sem saída, sempre cheia, cheia de gente, de ignorância, de obscuro, de alegria, e completamente cheia de vazio.

Cumpro a risca meu castigo rotineiro de corpo pela trilha de missões acorrentadas, mas o ser vagante sente a fome do abismo, quer ser libélula da morte, voar, morrer, matar o mito e ser livre numa outra eternidade. Como nunca se pode ser aqui.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Mas eu ainda não encontrei o que eu estava procurando

Eu não minto.
Eu quase nunca minto.
Eu não quero reclamar ou lamentar, na verdade a tristeza se tornou mais uma forma de introspecção analítica para mim com o passar dos anos, tristeza é como se eu me visse de cima, me perguntando "Por que diabos te entristece o que está lá embaixo tão pequeno?"
A tristeza me acalma, e só hoje eu fui perceber isso, através dela não me importa como vai ser meu dia, não me importa minha boa ou má educação, não me importa as pequenas coisas irritantes, não me importa os grandes problemas pessoais e as crises mundiais, mas como já disse nada é grande visto de cima.
Eu não encaro a tristeza de frente porque ela afronta, e sabe afrontar, deixo que ela paire como um espírito abandonando um corpo com picos de insanidade, tristeza chega até a ser bonito.
Hoje eu fiz as pazes com minhas tristezas eu poderia exorciza-la como uma legião de demônios, mas eu não quero. Deixa ela caminhar do meu lado um tempo, minha bebida vai ficar mais forte, minha paciência mais longa, tô pra dizer que qualquer dia desses chegarei a receber tristezas com alegria.
Uma boa noite e novos dias, pra você, pra ela, e pra mim.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Libertar, ou interrogar?

Do que você precisa se libertar?
Eu não acredito no que é bonito, eu não sinto o que acalma,
eu penso que não gosto do agrado, eu finjo que não tenho alma.
Do que você pode me libertar?
Eu lamento o que já foi, me arrependo do que poderia ter sido,
amo o que não existe, odeio não estar mais perdido.
Do que eu eu preciso me libertar?
Eu tremo de incerteza, eu temo o (muito) prazer, eu desfruto de um mau fruto, o que é bom eu me forço à não merecer.
Do que você precisa me libertar?
Eu preciso ter paciência, gritar baixo e correr devagar, eu quero ficar sozinha, mas sem que eu saiba, que seus olhos fiquem a me vigiar.
O que é nós (libertar)?
Eu não sei fazer nada direito, aliás tanto não sei fazer, que não aceito se vai além, chega a ser desesperador um sentimento que me faz bem.
Você poderia me libertar.
Eu prefiro agredir minha vontade, não quero ver, e  toda hora tenho saudade, sinto muito se nem eu sei de mim, de toda as incertezas a certeza que encostada em seus braços esqueço de ser assim.
O que um abraço pode libertar?



terça-feira, 14 de maio de 2013

Se quiserem levar algo, eu deixo que tirem de mim



Na fraqueza, desisto por cansaço e falta de vontade de enxergar qualquer saída, desisto também por ser forte demais, como se não me atingisse quando abro mão de outra e mais uma outra coisa, eu quase não sinto, consigo passar por tudo, por cima de mim, mas uma força oculta esta escondida, joga e escancara tudo na minha frente, eu sei as respostas, eu não consigo...eu sei as respostas, eu não gosto de ver.

O que é certo sempre está na cabeça de quem pensa que está, a minha agoniza no medo.
Medo do errado, medo de desmoronar, medo de permanecer estagnada em cima de um muro onde ninguém pode me ver. NINGUÉM PODE ME VER!

Não nego que agradeço pela indiferença e a frieza que com o penar cultivei, fazendo com que eu me sinta mais determinada, mais madura talvez, porém volto à força oculta. Como um desígnio a desprezar por sempre temer o amanhã, o amanhã me traz a vaga lembrança da morte, eu gosto da morte, do amanhã não, mesmo que ambos tão incertos as pessoas não opinam fracasso na hora da morte, se fracassar no amanhã, fudeu.

Somos tão redundantes, e nem vemos isso, passamos uma vida de sofreguidão juntando matérias em busca de algo que sempre acabará na morte, vivendo como se nunca teríamos de enfrenta-la, fazendo aquilo o que não queremos até o dia que ela chegue, para conquistar méritos que servem exclusivamente para serem expostos em uma vitrine do senso comum social.

Pensamos com superficialidade  que desistências e  fracassos são o errado, não vemos o quão esses acontecimentos são pilares, feitos para que se sustente altas doses de resistência e sabedoria, e não conseguimos tirar proveito disso por estarmos passando mais tempo procurando ter medo do que nos apontam, e à pontar ao outro do que mergulhando nos prazeres e desprazeres de morrermos sem ter deixado nada além do que uma vida conhecendo a nós mesmos.